Um estudante da Universidade de Coimbra gasta, em média, mais de cinco mil euros por ano, cerca de 600 euros por mês, segundo um estudo encomendado pela Associação Académica. “Estas conclusões não nos surpreendem, mas vêm provar que hoje o Ensino Superior não é para todos”, disse o presidente da AAC, André Oliveira.

O dirigente referiu que “diariamente procuram a AAC estudantes com situações preocupantes” por falta de meios para fazer face às despesas. “Ainda ontem (terça–feira), recebemos um estudante dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), que trabalha e tem bom aproveitamento escolar, mas nem sequer consegue pagar as propinas do ano passado, o que o impede de se inscrever nos exames”, referiu.

O estudo agora divulgado foi realizado pela Júnior Empresa de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, em Outubro e Novembro. Com o objectivo de apurar “quanto custa um estudante no Ensino Superior e demonstrar o desadequado montante das despesas dedutíveis no IRS, previsto no Orçamento do Estado para 2009”, foram inquiridos cerca de mil dos 19 921 alunos inscritos na UC.

Segundo o estudo, o estudante–tipo da UC é de fora de Coimbra (70,4%) e não usufrui de apoio social (72,2%), deslocando-se a casa, em média, três vezes por ano. Os maiores gastos são com habitação – 200 euros mensais (incluindo gás, água e luz) – e propinas: cerca de 110 euros.

Quanto às despesas com alimentação, os alunos frequentam as cantinas da UC uma vez por dia e gastam mais cerca de 90 euros mensais nas restantes refeições. Em fotocópias e livros, o montante médio despendido por ano ultrapassa os 260 euros, mas há quem gaste mais de 600 euros.

Dos estudantes deslocados, a maioria (48,4%) está alojada num quarto, mas uma percentagem considerável (32,8%) opta por apartamento. Cerca de 70% do total de inquiridos usam viatura própria na deslocação para as aulas.

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